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A crise imigratória na Alemanha


A frase “A solidariedade não deve ser punida” estampou as ruas da capital alemã, Berlim, através de mais de 1 milhão de pessoas por meio de protestos na última semana de fevereiro. Os atos foram desencadeados após o veículo de jornal investigativo Corretiv revelar que políticos do atual partido no comando do país realizaram, em novembro do ano passado, uma reunião secreta com um líder extremista austríaco na cidade de Potsdam, na fronteira com a capital Berlim, onde discutiram planos de deportação em massa de imigrantes, solicitantes de asilo e cidadãos alemães “não assimilados”.


A Alemanha é um país muito cobiçado pelos imigrantes por seu mercado de trabalho com alta demanda e pelos benefícios generosos. No ano passado, os pedidos de asilo aumentaram mais de 50%, com quase 300 mil pessoas pedindo abrigo no país em 2023, o número mais elevado desde 2015, quando o país acolheu mais de 1 milhão de migrantes, sobretudo sírios, segundo o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). Além disso, mais de 3 milhões de exilados já estão instalados no país, um número superior ao dos outros países europeus, fazendo com que o sistema de acolhimento do país entrasse em colapso. Nesse contexto, devido à grande demanda por ajuda humanitária, todo o sistema de acolhimento de refugiados no país está à beira do colapso, e a integração dessas pessoas no cotidiano tem sido afetada. Muitas pessoas que procuram refúgio no país não percebem que os recursos para ajudá-las atingiram seus limites.


Em janeiro, o debate político sobre a imigração foi reavivado com o crescimento do partido político populista de extrema direita alemão AfD (Alternative für Deutschland) em alguns estados nas eleições estaduais do ano passado. Conhecido pelo seu eurocentrismo, bem como por se opor à imigração, o partido fez com que essa discussão fosse muito além de uma mera agitação. O partido político, cada vez mais popular, acusa o governo anterior de ter gerido mal a emergência dos imigrantes. Os protestos contra a extrema direita estão a multiplicar-se em Berlim, e teme-se que a ascensão do partido político AfD possa levar o governo a adotar posições cada vez mais radicais em matéria de imigração. A polêmica das deportações abalou o governo, e o próprio chanceler Olaf Scholz, social-democrata do partido SPD (Social Democratic Party of Germany), tomou a decisão histórica de endurecer e adotar uma série de medidas, que entram em vigor ainda este ano, para tornar o país menos atraente para os migrantes. Em entrevista, o chanceler afirmou querer deportar “mais pessoas, com mais frequência e mais rapidamente”, com o propósito de travar a imigração ilegal e o excesso de demanda por refúgio e subsídio.


Muitos querem acreditar que o país superou um senso clássico de identidade nacional e desenvolveu uma identidade pós-nacional, baseada na ideia do patriotismo constitucional. Esta ideia baseava-se em um senso de responsabilidade e arrependimento pelo passado. Mas a crise de identidade e o choque cultural que a Alemanha pode enfrentar é uma preocupação não tão distante do futuro. Qual será o limite para esse patriotismo extremo?


Por Victoria Rabel

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