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AFD e a violência política na Alemanha


Neste ano diversas eleições serão realizadas pelo mundo afora, os alemães dos estados da Saxônia, Brandemburgo e da Turíngia irão às urnas para um pleito que poderá ainda mais consolidar o partido de extrema direita AFD ou Alternativa para Alemanha como uma força política real na Alemanha.

Não será o único pleito que os alemães participarão, também haverá o pleito do parlamento europeu que candidatos dos partidos da Alemanha também irão participar. Porém, com ascensão dessa força política extremista há uma ascensão da polarização no país europeu, ondas de protestos e de violência política cresceram exponencialmente.

Yvonne Mosler, candidata à vereadora do partido verde em Dresden, na Saxônia, foi vítima de xingamentos e de vandalização de seus itens de campanha política. Além disso, os agressores fizeram uma saudação nazista e gritaram em apoio ao partido de extrema direita AFD, isso uma semana depois de outro candidato ao parlamento europeu sofrer agressões físicas na mesma cidade. O social-democrata Matthias Ecke estava colando panfletos de sua campanha nas ruas de Dresden para a sua reeleição para o parlamento europeu, quando quatro jovens entre 17 e 18 anos o agrediram e a polícia local confirma que um deles é seguidor da extrema direita.

Mas, por que em um Estado que tem um leis e um judiciário enrijecido contra indivíduos de extrema direita ou neonazistas, sofre de um aumento de adeptos e discursos a esses movimentos nos quais o país tem um passado traumático? Apenas em 2023 foram mais de 2.700 ataques a políticos ou militantes partidários, o que significa um aumento expressivo em relação ao ano de 2022.

A onda migratória que os países europeus estão passando e a recessão econômica do governo de Olaf Schoz, acabam tornando-se um caminho pavimentado para que figuras políticas do espectro da extrema direita ascendam e que seus adeptos se manifestem mais, mesmo que o país seja rigoroso legalmente contra esses grupos. A falha nas políticas econômicas e a dificuldade de lidar com as políticas imigratórias transformam-se em um palco político para essas figuras.

A AFD já é o partido favorito para eleger cadeiras nos três estados citados no começo deste artigo. O Leste alemão que foi influenciado diretamente pela União soviética pós-segunda guerra mundial, como os países vizinhos também são um cenário fértil político para esses movimentos extremos crescerem. Um exemplo é a vizinha Polônia, que até o passado era governada por Matheusz Morawiecki, um líder de extrema direita que ascendeu ao poder também com o mesmo discurso.

Um estudo da Universidade Leipzig revelou em uma pesquisa que em cinco estados do leste alemão, quase um quarto acreditava que o nazismo tinha seus lados positivos, pelo menos metade dos entrevistados concordou em proibir a imigração de muçulmanos, e em torno de 70% apoiam a ideia de que os estrangeiros só vêm para Alemanha para explorar o estado de bem-estar social, e um terço acredita que a influência dos judeus ainda é grande demais.

O grande expoente de todo esse movimento da extrema direita é Björn Höcke, deputado da Turíngia que deseja ser o governador do estado. É o indivíduo que mais chama atenção dentre todos os políticos e militantes da Alternativa para Alemanha, legalmente ele pode ser chamado de fascista, decidido por um tribunal administrativo da Alemanha em 2019. Höcke antes de tentar o poder em seu estado no mês de setembro, foi julgado em uma corte criminal sendo acusado de ter usado um símbolo do nazismo, o slogan Alles fur Deustschland (Tudo pela Alemanha), que foi proibido após a segunda guerra mundial por ser muito difundido entre os nazistas na Alemanha. O deputado utilizou a frase em uma das suas campanhas, porém a sentença foi branda, o Ministério Público pediu uma pena de seis meses de prisão em liberdade condicional e uma multa de 10 mil euros (R$ 55 mil), ele estará livre para concorrer as eleições.

Em um mundo de discursos radicais e políticas extremistas em crescimento, esperava-se que a Alemanha por seu passado traumático estivesse em uma posição de vanguarda com a finalidade de frear tais movimentos ou discursos. Mesmo com as regulamentações rigorosas contra o nazismo ou qualquer movimento da extrema direita e com judiciário forte contra qualquer política de natureza, a possibilidade de sua chegada ao poder através da democracia nos estados da antiga Alemanha oriental é real e provável. Destacamos que as próximas eleições no país europeu serão no ano que vem, e que essas três eleições poderão moldar o caminho político da Alemanha que agora, ainda mais parece um ponto de interrogação.


Por Gabriel Ubaldo.

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