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Bharat – Um novo nome para um antigo país


Bandeira da Índia — Foto: Arun Sankar K./AP

A Índia – ou Bharat – vêm conquistando um espaço privilegiado dentro do cenário internacional. O governo do primeiro-ministro Narendra Modi consegue atuar em dois dos grandes polos políticos internacionais: ao mesmo tempo em que o país está nos BRICS e mantem um forte laço com governo de Putin, um antagonista dos Estados Unidos e União Europeia em geral; a Índia de Modi também mantém parcerias com o mundo ocidental. Em Washington, o líder indiano chegou a discursar no congresso americano.

Essa participação indiana na seara internacional não deve espantar. O milenar país asiático vem sendo protagonista em diversas áreas. Um exemplo é a área aeroespacial, em que a Índia se tornou o primeiro país da história a pousar no lado oculto da lua. Até então apenas 3 outras nações haviam conseguido pousar uma sonda no satélite de nosso planeta. Na área econômica, a Índia vem apresentando um crescimento notável. No ano de 2022 o crescimento do país foi de 7%, 4% a mais do que em comparação com a média mundial, que foi 3%. Se espera que até 2030 a Índia seja a terceira maior economia global atrás apenas dos Estados Unidos e da China.

É nesse contexto que Nova Déli tem se tornado um aliado alternativo para o ocidente como contrapeso à ascensão chinesa. Ainda que a economia chinesa seja seis vezes maior do que a indiana, a localização geoestratégica da Índia na Ásia deve ser destacada. Nesse ponto, surgem atritos entre Índia e China: foram problemas nas fronteiras geraram confrontos não oficiais entre militares dos dois países em 2019.

Ainda assim, nem tudo são flores para a índia no cenário internacional: além da rivalidade histórica com Pequim, as relações entre Índia e Canadá desgastaram-se muito nesse mês por conta da morte de um líder Skih na Colúmbia Britânica. Hardeep Nijjarm que luta pela independência do Calistão, na região norte do território indiano morreu em condições suspeitas. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau disse que há “alegações criveis” de que agentes do governo indiano estariam envolvidos, na morte de Nijjarm. Como consequência, a Índia expulsou o diplomata sênior do Canadá de seu território, e parou de emitir vistos para canadense. A tensão entre Ottawa e Nova Déli está a ponto de ter um risco sério de fechamento de ambas embaixadas.

Ainda com esse sobressalto recente em suas relações exteriores, a Índia vem reforçando sua postura internacional. Atualmente, o governo de Narendra Modi é o mais popular do mundo com 78% de aprovação segundo a Morning Consult. Aqui, a Índia surpreendeu a todos: na cúpula do G20 sediada esse mês no país, nos convites, documentos e nas vestimentas dos funcionários oficiais o nome Bharat estava presente, em detrimento do conhecido nome “Índia”.

Segundo o governo e seus aliados, a mudança vem para superar um passado colonial britânico, visto que o nome foi dado pelo império londrino por conta do rio indo. A Índia só conseguiu sua independência em 1947 e mesmo que o nome Bharat esteja na constituição indiana, criada em janeiro de 1950, o governo atual quer dar mais ênfase a esse nome, desejando que o país passe a ser conhecido assim. O nome Bharat vem de um rei hindu considerado o pai da religião.

Essa decisão do governo Modi desagradou a oposição, que prontamente lançou seu slogan político I.N.D.I.A. (Indian National Developmental Inclusive Aliance) para o pleito geral do ano que vem. O partido do primeiro-ministro Narendra Modi, BJP (Partido do Povo Indiano) vem sendo acusado de intolerância religiosa contra a “minoria” de 200 milhões de muçulmanos que vivem no país. Um dos motivos dessa intolerância religiosa é a lei da cidadania, criada em 2019, que facilitara que imigrantes ilegais tenham fácil acesso a cidadania indiana com base na identidade religiosa. Enquanto cristãos, budistas, parsis, sikhs e jainistas teriam esse benefício, os muçulmanos não estavam inclusos na lei. Há que se lembrar que o Islã é a religião da maioria dos imigrantes que partem dos países vizinhos a Índia, como o Paquistão, Bangladesh e Afeganistão.

Relatórios especiais da ONU condenam algumas ações da Índia como nas deportações para Myanmar do grupo étnico Ruaingas, que pratica o islamismo. Com a crescente popularização do governo de Modi, Estados ou organizações internacionais dificilmente endurecerão as críticas ou punições para o governo de Nova Déli que tentará consolidar-se no pleito do ano que vem.


Autor: Gabriel Ubaldo


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