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O golpe no Níger e a situação no Sahel




Na última semana, ocorreu em Gana a cúpula extraordinária da CEDEAO (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental) com o objetivo de discutir a realização de uma operação militar no Níger.


Mohamed Bazoum, presidente democraticamente eleito em 2021, foi deposto há 3 semanas após um golpe liderado por militares nigerenses supostamente apoiados pelo Grupo Wagner e pela Rússia.


Desde o golpe militar ocorrido em 26 de julho, diferentes países, como França e Estados Unidos, têm pressionado os militares nigerenses a restituir o poder a Bazoum. Entretanto, a junta militar governante tem se negado a permitir um retorno do presidente eleito ao posto, acusando-o de “alta traição” por sua proposta de reformar o mecanismo nacional de segurança.


Histórico do Níger.


O Níger, uma ex-colônia francesa que declarou independência em 1960, tem vivenciado um cenário de instabilidade política constante desde então. Golpes e governos militares têm se alternado no poder. Além disso, a população enfrenta desafios sociais abrangentes, como baixa qualidade de vida, evidenciada pelo baixo índice de desenvolvimento humano nigerense, que está entre os mais baixos globalmente. Outras questões incluem a persistência da escravidão, mesmo sendo ilegal, impactando aproximadamente 130.000 nigerenses de acordo com o Índice Global de Escravidão. Além disso, grupos terroristas islâmicos como a Al-Qaeda e o Boko Haram também ampliam sua presença no país. Financeiramente a economia nigerense é altamente dependente do setor primário, principalmente da agricultura, que representa em torno de 40% do PIB. A indústria nacional é centrada principalmente na exploração mineira que tem como fim a exportação para países como Canadá e França.


Afinal, o que está em jogo?


O Níger é um país com ricas reservas de produtos químicos, entre eles o urânio, do qual o país é o 7º maior exportador, essencial para o desenvolvimento de energia nuclear e para a produção de armas atômicas. Por conta disso, há grande pressão de países ocidentais para que o governo eleito em 2021, pró-Ocidente, seja restaurado ao poder, impedindo assim a expansão da influência russa, já atuante em países como Burkina Faso e Mali, também comandados por juntas militares. Assim como os dois países, o Níger faz parte da região do Sahel, uma extensa faixa de terra na parte sul do deserto do Saara que atravessa todo o continente africano, popular por conta da grande instabilidade política e das guerras ocorridas nas últimas décadas e de sua extrema pobreza.


O Sahel tem sido palco nas últimas décadas da expansão de grupos terroristas como o Boko Haram, originário da Nigéria, e de diferentes braços da Al-Qaeda. Atualmente existem diferentes conflitos armados ocorrendo na região, entre eles a Guerra Civil no Sudão e o conflito de Darfur. Em virtude desses conflitos a região tem sido marcada por diferentes crises migratórias ocorridas nos últimos anos.


É possível a realização de uma intervenção no Níger?


Alguns países da região, como Nigéria e Benin, têm apoiado a ideia de intervenção no Níger. Entretanto, outros países, como Burkina Faso e Mali, se mostram contrários à ação, expressando apoio ao novo governo nigerense. Todavia, a pressão de países como Estados Unidos, França e Rússia pode levar a uma nova guerra por procuração, inviabilizando mais uma vez o desenvolvimento de uma região que sofre há séculos por invasão e dominação estrangeira.


Autor: Davi Phelipe Marcelino Farias


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