Os conflitos em Jerusalém no mês de abril

Os conflitos se intensificaram na cidade graças a convergência de celebrações religiosas, deixando várias pessoas feridas.


Por Leticia Cunha*

Créditos: Dennis Jarvis - CC BY-SA 2.0 (editada)


Em um raro alinhamento de eventos, abril de 2022 foi marcado pela sobreposição das principais festividades de três das principais religiões do mundo, o ramadã, mês sagrado islâmico, a páscoa cristã e o pessach do judaísmo. As três religiões, mesmo que muito diferentes, têm a terra de Jerusalém como território sagrado e, com suas celebrações, a região foi palco de muita tensão e conflitos.


Jerusalém é marcada por conflitos entre judeus e árabes desde muito antes da proclamação do Estado de Israel e, a partir disso, foram escassos os momentos em que esses dois povos estiveram de acordo. Uma das bases dessa tensão é, justamente, a carga histórica e religiosa que o território tem para ambos, o que leva a disputa israelense-palestina pela posse do território. Já houveram tentativas de solucionar o problema, como, por exemplo, o plano estabelecido pela ONU, em 1947, de partilhar a Palestina, deixando Jerusalém sob administração internacional. O plano, mesmo sendo aprovado, nunca foi implementado e a região é hoje palco de uma constante disputa, já que tanto Israel quanto a Palestina proclamam a cidade como capital de seus respectivos Estados.


As celebrações religiosas deste ano foram motivo de confronto, já que o Pessach atraiu um maior número de judeus para o Monte do Templo, enquanto mulçumanos visitavam a Esplanada das Mesquitas por causa do Ramadã. A tensão entre esses dois grupos foi marcada por diversos ataques de ambas as partes, como no dia 14 de abril, quando um palestino assassinou três israelenses em Tel Aviv. Esse foi apenas um dos quatro grandes ataques de árabes-israelenses e palestinos neste mês, que deixaram cerca de 12 israelenses mortos.


Ademais, Israel decidiu intensificar suas operações em Jenin, ao norte da Cisjordânia, cujas ações resultaram em mais de 20 palestinos mortos que, segundo as forças armadas do país, eram “atiradores”. Já na noite do dia 15 a situação se intensificou, quando fiéis palestinos e policiais israelenses se envolveram em brigas dentro do complexo da mesquita de al-Aqsa, deixando mais de 150 palestinos feridos. Segundo a polícia, eles estavam reagindo após serem atacados com fogos de artifício e pedras. Sobre o caso, o Ministério das Relações Exteriores da Palestina afirmou que Israel seria totalmente responsável pelo crime, e que deveria arcar com as consequências.


Infelizmente, o problema não encerrou após o fim das celebrações religiosas de ambos os povos. Durante o Dia da Independência de Israel, em 4 e 5 de maio deste ano, um ataque à cidade israelense de Elad deixou ao menos três pessoas mortas. O ataque foi repudiado pelo presidente palestino Mahmoud Abbas, que declarou: “O assassinato de civis palestinos e israelenses só levará a mais deterioração da situação”. Enquanto isso, o grupo islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, mesmo não se responsabilizando pelo ataque, elogiou o ato, afirmando que seria uma resposta à violência israelense em Jerusalém.


O crescente número de ataques em ambos os lados levanta preocupações de um possível conflito mais amplo, como os ocorridos em maio do ano passado, quando Hamas e o Estado de Israel entraram um confronto de 11 dias, que resultou em mais de 4 mil foguetes disparados contra território israelense e 1,5 mil bombardeios aéreos contra a Cidade de Gaza, segundo dados da ONU.

*Aluna do terceiro período noturno de Relações Internacionais da Universidade Positivo (2022).


REFERÊNCIAS

BBC NEWS (org.). 4 mudanças em Gaza após conflito entre Israel e Hamas que abalou Oriente Médio em 2021. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59808961. Acesso em: 17 maio 2022.

BBC NEWS (org.). Jerusalém vive dia de confrontos em meio a rara coincidência entre Páscoa, Pessach e Ramadã. 2022. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-61121573. Acesso em: 17 maio 2022.

CNN. Ao menos três pessoas morreram em ataque na cidade israelense de Elad. 2022. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/ao-menos-tres-pessoas-morreram-em-ataque-na-cidade-israelense-de-elad/. Acesso em: 17 maio 2022.


G1 (org.). Confronto entre palestinos e polícia israelense deixa 152 feridos em Jerusalém. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/04/15/confronto-entre-palestinos-e-policia-israelense-deixa-152-feridos-em-jerusalem.ghtml. Acesso em: 17 maio 2022.


GORNIAK, Paulo. Jerusalém: entenda o conflito por esse território. 2018. Disponível em: https://www.politize.com.br/jerusalem/. Acesso em: 17 maio 2022.


VIEIRA, T. L.; CARDOSO, P. da S.; SCHEFER, L. de A. O conflito entre Israel e Palestina. Revista Vianna Sapiens, [S. l.], v. 9, n. 2, p. 24, 2018. DOI: 10.31994/rvs.v9i2.445. Disponível em: https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/445. Acesso em: 16 maio. 2022.